11
Aug

Eu odeio a classe econômica



Dependendo do seu poder aquisitivo, relações pessoais com funcionários ou sistema de milhas, sua viagem aérea pode, ou não, ser um inferno na terra - ou nos ares (piadinha infame). Eu viajo de econômica, então a minha sempre é. Dependendo do número de horas em que você vai passar empoleirado naquele pau-de-arara, esse inferno pode ser mais ou menos confortável. Como eu só fiz uma viagem de avião para dentro do Brasil, praticamente todas as minhas experiências aéreas foram terrivelmente insuportáveis, salvo o bimotor de quatro lugares que eu pilotei (no chão, claro), mas isso são outros quinhentos.

Para voltar de férias, comprei a passagem Lyon-Rio. O trajeto, no entanto, era: Lyon-Paris de trem, Paris-Rio de avião, mas tudo isso dentro da passagem da Air France. No dia anterior à viagem - é claro que eu NÃO ia notar isso com algum tempo de antecedência - eu percebi que entre o momento em que eu pisava na estação Chales de Gaule (já em Paris) até o momento em que o meu avião tiraria as rodinhas do chão, eu teria exatamente uma hora. E nesse tempo não estava incluído o atraso do trem, as três horas que você tem que chegar antes no aeroporto, o check-in, o “despachar as malas”, o “correr pelo imenso aeroporto de Paris”, o “se perder para encontrar a plataforma de embarque” e muito menos o “passar pela Polícia Federal de lá”. Fiquei preocupada, mas lá as coisas são mais organizadas, né? (É?)

Primeiro erro: Trem não atrasa na europa. Atrasa sim, basta que você precise desesperadamente que ele chegue no horário. O meu atrasou 15 minutos, diminuindo o tempo da minha jornada para 45 minutos.

Segundo erro: A passagem de trem era da Air France, então claro que eles vão me esperar. Aham… Vai nessa… Cheguei lá e o check-in pro meu vôo já estava fechado. Fiz cara de choro, de criança que ia viajar sozinha e, depois do esporro protocolar de “Você tem que chegar com tempo sobrando para o seus vôos” a simpática senhora abriu uma excessão pra mim.

Terceiro erro: Aviões também não atrasam na europa. Atrasam se forem para o Brasil. O meu demorou uma hora e meia, isso mesmo depois do esporro protocolar.

Eu já estava sentada na minha confortável poltroninha, na janela - não, eu não queria viajar na janela, porque todas as vezes que eu resolvesse ir ao banheiro, eu teria que pedir licença pra duas pessoas desconhecidas. Mas antes ir na janela e dividir o apoio de braço com uma pessoa do que sentar no meio e dividi-los com DUAS pessoas. De repente, não mais que de repente, um comissário chega para a nossa fileira:

- É que tem um bebê na fileira de lá, e as máscaras de oxigênio para bebês ficam do lado de cá, vocês se importam de trocar de lugar?

A minha primeira reação, e provavelmente dos outros dois desconhecidos também, foi: “Porque raios ninguém pensou nisso antes?” Todos fizemos cara de “mas eu comprei ESSA poltrona, e se ele precisar de máscara de oxigênio, provavelmente nós vamos ter problemas mais graves do que isso”. Até porque eu acho esse negócio de máscara de oxigênio, colete salva-vidas, aponta-pra-lá-aponta-pra-cá um monte de encheção de lingüiça. Nunca vi ninguém precisar disso e sair vivo.

- Vocês podem ficar tranquilos, vai dar no mesmo. Vocês vão se mudar para exatamente a mesma cadeira, só que do lado de lá.

Opa, agora ele começou a falar a minha língua. Se eu estou na janela do lado esquerdo, logo…… Eu vou para a janela do lado direito!

Pena que a cabeça dos comissários não funciona sempre igual a nossa - deve ser a altitude. Eis que, de repente, não mais que de repente, a minha viagem, que já estava prestes a ser insuportável, conseguiu piorar, e muito. A cadeira do bebê inconveniente não era na outra ponta, era no meio. E lá fui eu dividir os meus DOIS apoios de braço com um nerd - o que foi mais tranquilo - e com um gordo! Que sentava no meu colo, colocava a perna no meu lugar de perna e o cotovelo na minha barriga!

Até que eu descobri que eu sou claustrofóbica e não conseguia ficar ali. Levantei para chamar o comissário.

- Senhora, o aviso de apertar os cintos está aceso.

- Mas eu…

- Por favor, sente-se.

- Ok…

E assim se passaram dez horas da minha vida. Com um cotovelo gordo e pesado na barriga. Triste fim.

10
Aug

Um dia eu volto a me inspirar…



… aí vocês vão ver só…

04
Jun

Dias de desespero



A PUC é estranha. Não sei se todas as universidades são, mas a PUC é! O que você não faz no resto do período, você faz no último mês de aula! Custa dividir isso ao longo dos quatro meses? Custa guardar a nota para lançar no último mês? Alguém realmente acha que eu vou aprender a ser uma jornalista melhor se eu tiver gastrite, úlcera, alergia nervosa ou ataque de gula?

Explico: depois de alguns dias sem fazer nada, chegam os resultados das primeiras provas e os preparativos para as últimas. Merdas de notas. Merdas! E não venham comparar com qualquer curso de exatas, onde 2+2 são SEMPRE 4, e você não tem o que argumentar com o o professor. Tudo bem eu tirar uma nota mais ou menos em redação, onde o professor me explicou todos os motivos da minha nota mais ou menos, mas em história? Este último, conseguiu a proeza de dar notas baixas a todas as pessoas que leram todas as drogas de textos infelizes que ele mandou, estudaram igual uma vaca e foram em todas as aulas (lembrando que são às 7h da madrugada). Ele conseguiu a façanha de dar 10, repito: D-E-Z, para os que não leram droga nenhuma, falam a droga da aula inteira, quando vão! Isso é que é professor bom.

Mas isso é passado. Hoje, eu tenho trabalhos gigantes para fazer em todas as matérias - porque todos eles têm a idéia genial de deixar a matéria pior pra G2 - e a maioria em grupo. Trabalho em grupo não funciona.

Na verdade, eu vim falar sobre um em particular, que tem tirado as minhas noites de sono: jornalismo internacional. Como na primeira avaliação, eu tenho que trazer uma pauta (+/- uma “idéia de matéria) que:

1. não perca o timing até o fim de junho, quando ela vai ser entregue
2. não fique sem gancho (ex: terminar com algo tipo “a ONU vai discutir isso na próxima segunda-feira”)
3. não seja pontual (tem que dar pra abranger coisas maiores)
4. e o principal, querido leitor: não tenha sido publicado por nenhum jornal no Brasil!
5. ah! já ia me esquecendo: por ‘internacional’ ele entende política e economia, qualquer outro assunto pode ser jogado em outras editorias do jornal

Agora a pergunta que não quer calar: quais são as chances de eu achar algo interessante, que vai continaur sendo interessante no fim de junho, mas que não tenha interessado a nenhum outro veículo!?

Depois de duas semanas de desespero, eu fico sabendo que a minha professora de telejornalismo acaba de voltar pra editoria de Internacional na Globo News. Cá com os meus botões: “Eis a minha salvação!” Fui falar com ela, que perguntou: “Será que tem problema se for de economia?” “Claro que não, tá ótimo!” E me mandou uma pauta que não saiu na Globo News. Adorei. Todo mundo adorou.

O professor adorou? Claro que não…

Falo nada…

17
May

Mentirosa confessa



Eu minto para o médico. Confesso. Eu sou igual àquelas velhas chatas que demoram para ir ao médico e, quando vão, não estão mais doentes e ainda mentem. Eu gasto o meu tempo, o meu dinheiro e o tempo do médico, que pelo menos recebe o dele. Fui ao médico querendo descobrir a minha gastrite. Eu não fiz medicina, mas eu tinha certeza que era gastrite, porque era exatamente assim que eu imaginava que seria uma. Menti as primeiras três perguntas.

Você costuma tomar algum remédio? Não. - Mentira. Eu tomo Allegra 180 regularmente. Na verdade só quando eu tenho alergia, o que significa sempre que eu entro em contato com coisas que me são alergia, sempre que faz muito calor, sempre que o meu brinco inflama, sempre que a minha casa está cheia de poeira e sempre que eu estou estressada. Ou seja, regularmente.

Alguém na sua família já teve problema nessa área? Estomago, barriga e tal? (ele não falou “e tal”, mas foi praticamente) Não. - Mentira. Meu pai e minhas duas avós tiraram a vesícula e eu acho que, com três pessoas na família, o meu gen não deve ser muito recessivo (essa frase não fez sentido, mas é só pra explicar a gravidade da minha mentira).

Nesses dias em que você se sentiu mal, teve enjôo ou vômito? Não. - Meia verdade, eu não vomitei. Mas eu tive enjôo sim, quase desmaiei na rua voltando da casa da Raquel, quase passei mal no ônibus e passei o resto do dia dormindo de enjôo.

Agora, o quê (ó, meu deus, o quê!) me faz mentir compulsivamente assim que eu entro em um consultório? Sim, porque não é só quando eu entro para “uma consulta”. Ontem, fui entrevistar um médico sobre tabagismo. No meio da entrevista ele perguntou se eu fumava e eu quase disse que sim! Por que? Tem algo de muito errado com consultórios médicos. Ou comigo. Mas já estou aliviada de ter contado as minhas mentiras.

Ah sim! Hoje eu acordei igual um monstro alérgico novamente (lá se foram mais dois Allegras). Como o remédio do estômago iria cortar o efeito do anti-alérgico, eu não tomei hoje, e foi a segunda vez que eu deixo de tomar o remédio. Quando eu voltar no médico ele vai perguntar se eu tomei todos os dias direitinho. Adivinha o que eu vou dizer…

29
Apr

E a Lei de Murphy [me] ataca novamente



Esse aí do lado seria eu, se eu fosse um homem de roupa social. Explico. Sabe quando parece que alguém está te perseguindo? E você começa a pensar “O que mais falta acontecer?”. Pois é. Eu costumo agir bem sobre pressão, mas essa semana eu descobri que o meu corpo não. Estava eu feliz e contente empurrando as minhas várias coisas para fazer com a barriga até o momento oportuno de me desesperar, quando eu começo com uma dorzinha na barriga. Foi depois do almoço. A Fabi olha pra mim e diz: “É, a comida de lá também não me fez muito bem não”. Então tá, foi a comida. Manti todos os meus planos de resolver os meus trabalhos da faculdade durante o fim de semana. Mas algumas coisinhas atrapalharam os meus planos, como o surgimento dessa dorzinha aí, que, durante o fim de semana, virou uma dorzona monstruosa que não me deixava estudar. Então, ficou tudo pra última hora. Até então o placar estava “Lei de Murphy 8 x 0 Carol” - essa conta tem lógica, mas eu não estou a fim de explicar.

Problema 1 - Jornalismo Internacional

Voltei a me preocupar (ou mais ou menos) com a minha matéria de Jornalismo Internacional (se eu ainda não enchi a sua paciência com esse assunto, considere-se uma pessoa de sorte) para ser entregue na semana seguinte com pelo menos dois entrevistados meus. Jornalismo Internacional, meus caros, a entrevista era com gringo. O meu Skype não está lá essas coisas e eu estava com medo de ficar nervosa entrevistando alguém em inglês e utilizando termos médicos, então a solução é o e-mail. Na verdade, era a idéia inicial da turma toda, todo mundo usou o bom e velho e-mail. Mas quem disse que as pessoas me responderam? Depois do meu educado e-mail de apresentação e do “I wonder if I may ask you a few questions”, todo mundo respondia com a maior paciência. “Claro que você pode mandar, querida, fique à vontade.” Mas eles esqueceram de acrecentar o “Fique à vontade para perder o seu tempo, porque eu não vou te responder”. Esperei um dia, dois, três, quatro, até a aula anterior à entrega. O professor me disse pra mandar outro e-mail falando do meu deadline apertado. Mandei. E lá se foram mais quatro dias. A matéria, que era pra ser entregue na terça-feira, começou a ser escrita na segunda-feira, depois de um dia inteiro de aula e trabalho, às 22h, quando eu finalmente consegui os meus dois entrevistados - na medida do possível.´

Aí você pensa: “Pelo menos se livrou de uma matéria, né?” Droga nehuma, queridos amiguinhos. Além dessa, tinha mais outra, que valia como nota extra, mas eu chutei o balde - ou pelo menos até a terça-feira de manhã, quando eu decidi que era melhor garantir a notinha extra e fazer durante uma aula. Sim, eu aproveitei que era no estúdio de rádio - e era inútil - para escapar de vez em quando para escrever. “Agora acabou, né?” Não, ainda faltava entregar as matérias na aula seguinte e fazer uma provinha básica. Duas matérias e uma prova no mesmo dia, da mesma matéria. Consegui. Murphy 5, Carol 3.

Problema 2 - A outra matéria

Quando eu achava que estava quase ganhando, eu recebo um telefonema dizendo que eu tenho que entregar outra matéria até a quarta-feira. Como assim “outra matéria” em dois dias? Junto com as outras 3? Murphy 6, Carol 4.

Problema 2 - A matéria do jornal

A minha matéria semanal teve de ser escrita às pressas também, agora pouco, para ser entregue amanhã de manhã. A cada semana eu fico pensando “É hoje… Hoje, definitivamente eu não não tenho mais idéias para escrever”. Acabou funcionando. Carol 5, Murphy 5.

Resultado Parcial:

Ainda falta ler um texto para uma apresentação de História de amanhã, comprar passagem para as férias, comprar passagem para o feriado, estudar para a prova de Cultura, escrever mais um texto pro jornal e tudo isso com a dorzona básica que ainda está aqui. Ah sim! e ainda resolver a maldita provável gastrite. Mas os dias da Lei de Murphy estão contados. Em breve eu serei uma pessoa normal, que respira entre as mastigadas, como todo mundo.

Quem escreve


Carol Jardim estuda jornalismo na PUC-Rio, onde aprende e desaprende constantemente ao mesmo tempo. Atualmente ela procura temas para seus próximos posts, para a sua coluna no jornal e sugestões de pauta pro Jornal da PUC. É bom ressaltar que ela fica extremamente carente e chateada quando ninguém comenta nos seus textos.

Carol levanta uma das sobrancelhas, enrola a língua, mas não fala a língua do Pê fluente. Quando pequena (muito pequena), decidiu que quando fosse grande seria secretária eletrônica, na época, uma profissão honrada. Na falta de uma faculdade para secretárias eletrônicas, ela se contentou com comunicação.

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Aquelas coisas pra fazer

1. Quadros pra sala

2. Ler Freakonomics

3. Matérias pr'O Debate

4. Entregar o perfume da Raquel

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